Blog do Quesada

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03/07/2010

Don´t cry for me Argentina

Os hermanitos queridos riram ontem e agora choram a eliminação. Amigos de mi vida, a Argentina se fue también. Nada melhor que um dia depois de outro para as cosas se colocarem nos devidos lugares. Os argentinos vibraram com a queda brasileña e agora sentiram na pele a dor da desclassificação.

Agora deixemos de curtir com a tragédia alheia já que não superamos ainda a nossa. Quem perde é o futebol sul-americano com as saídas de duas das grandes seleções do mundo.

As duas seleções foram envolvidas por outras mais fortes. Holanda e Alemanha estavam mais preparadas para seguir na África do Sul. Enquanto o Brasil mostrou uma defesa forte até a derrota para a Holanda, a nossa vizinha teve dificuldades para acertar a marcação e caiu de quatro diante da Alemanha.

Dunga e Maradona mostraram que ainda deverão caminhar bastante para serem reconhecidos como técnicos gabaritados para comandar times tradicionais. As atuais gerações de futebolistas brasileiros e argentinos também devem se preparar adequadamente para não cair no esquecimento. Kaká não ganhou uma Copa efetivamente atuando (em 2002, nem coadjuvante foi) e Lionel Messi também decepcionou para quem chegou com o status de candidato a craque da Copa.

O duelo Argentina e Brasil era a aposta de muita gente para a final da Copa 2010 no Soccer City. Mas tudo bem, o Maracanã está logo aí. É só esperar 2014.

Por Leandro Quesada às 15h27

02/07/2010

O fracasso da seleção de Dunga

Fechada e unida, ao mesmo tempo, distante e antipática, a seleção brasileira fracassa na África do Sul.

O modelo de 2006, duramente criticado por Dunga por causa da liberdade exagerada aos jogadores e a abertura excessiva para os jornalistas, foi substituído por outro modelo que na prática não deu resultado.

Dunga queria repetir o sucesso de 94, nos EUA, quando foi campeão como jogador. Eh! Faltaram Romário, Bebeto, Aldair, Mauro Silva e o próprio Dunga aqui na África. Faltou um técnico mais rodado como era Parreira na campanha do tetra.

A queda em Porto Elizabeth mostra não ter importância nenhuma fechar muito ou abrir tudo dentro da seleção. No final das contas o Brasil foi eliminado na Alemanha na Copa passada e agora também apostando em filosofias bem distintas no aspecto relacionamento jogador-jornalista-torcedor.

No campo tático e de categoria dos atletas, esta seleção foi uma das mais fracas formadas na história do Brasil em mundiais de futebol. Fraca no sentido de qualidade de jogadores. Os poucos que aqui estavam, como Kaká, Robinho e Luís Fabiano não conseguiram fazer a diferença.

Nem mesmo a sólida defesa brasileira com Júlio césar, Juan, Lúcio e Maicon mostrou a eficiência contra os holandeses para evitar a eliminação.

Felipe Melo ser colocado na pele de vilão - por causa da expulsão - é no meu conceito uma estupidez. Felipe é assim, não é culpa dele. Culpa talvez de quem formatou um time cheio de volantes, com pouca criatividade ou nenhuma no meio-campo, sem opções para mudar o perfil de um jogo.

Por fim, entendo que a dupla Dunga-Jorginho se preocupou muito com o que se falava da seleção brasileira, com os comentários, as análises, as críticas, os telefones atendidos na coletiva, as perguntas. Eles se esqueceram de fazer a seleção jogar futebol para ser campeã do mundo, para trazer o hexa, algo que a maioria dos brasileiros desejava.

Vida que segue...

Por Leandro Quesada às 15h44

Desculpe, Cruijff...

Triste é reconhecer que Cruijff estava certo quando disse que não pagaria ingresso para ver o jogo do Brasil.

Eu teria ficado ¨pê¨ da vida se tivesse desembolsado 400 ou 500 dólares para assistir a partida que culminou na eliminação da seleção brasileira aqui na África do Sul.

Cruijff, me desculpe.

Por Leandro Quesada às 15h38

Cruijff... dá um tempo

Eu pagaria para acompanhar Brasil e Holanda, aqui em Porto Elizabeth. Jogão! Jogaço!

Hendrik Johannes Cruijff, maior craque holandês de todos os tempos, perdeu a chance de dizer aquilo que escrevo no blog. Ele já havia falado bobagem ao elogiar o Chile do ¨loco¨ Bielsa.

Em respeito ao quesito ¨época¨, nós não deveríamos comparar as duas seleções com as do passado.

Nas Copas de 74, 94 e 98 quando se enfrentaram, Brasil e Holanda tinham times melhores tecnicamente, repletos de craques, superiores aos atuais boleiros. Apenas o Brasil de 94 levou o título. A Holanda de 74 e o Brasil de 98 perderam a decisão.

Mesmo derrotada pela Alemanha na final, eu pagaria para ver aquela Holanda. O time de Rinus Michels fez história, mudou a forma de se entender futebol, impôs o conceito do basquete em que todos realizam todas as tarefas, evoluiu com o encerramento da posição fixa dos jogadores. Força física, técnica, velocidade e marcação implacável mudaram o futebol romântico. Mesmo com tudo isso perdeu a Copa do Mundo.

Eu quero a licença para criticar Cruijff. Sempre fui fã dele, da laranja mecânica, do carrossel... Mas a Holanda na Copa de 74 parou no futebol pragmático embora com certa técnica da Alemanha de Beckembauer, Overath, Breitner e Müller. Torcedores holandeses certamente ficaram decepcionados com a derrota em Munique mas acho que também pagariam para ver outra vez aquele duelo. Cruijff se escondeu no segundo tempo da decisão de 74.

Cruijff não ganhou a Copa, não colocou o nome dele na galeria dos grandes campeões, fato que não diminui a importância dele no esporte. Por outro lado, Dunga é um vencedor na seleção, mesmo surrado pela ¨era Dunga¨, o treinador levou o tetra. Mas este é um debate para outra hora.

Na discussão sobre pagar ou não par ver o Brasil, a melhor definição foi a de Dunga: ¨Cruijff tem ingresso de graça da FIFA, por isso ele não precisa pagar¨.

Toma! Cruijff dê um tempo, vai!

Por Leandro Quesada às 07h44

01/07/2010

Caso Elano (2° parte)

Quando o médico deve utilizar os recursos da tecnologia para ajudá-lo no diagnóstico?

A demora em submeter Elano aos exames mais precisos provocou o questionamento do trabalho de José Luís Runco na seleção brasileira. Runco se esquivou ao afirmar que é ¨médico e não fotografo¨. Uma referência aos exames de imagem que segundo ele não eram necessários de forma imediata.

Runco tem experiência de sobra no futebol mas será que Elano deveria ter voltado aos treinos, sem antes ter sido realizada uma análise mais profunda da situação clínica do atleta? A lesão do meio campista teria sido subestimada? Elano minimizou ou escondeu a dor real que sofria?

Eu ouço todo dia que cada vez mais a tecnologia e a medicina devem caminhar lado a lado. A experiência do médico aliada a informação científica formam uma dupla especial.

Exames de imagem, ressonância magnética, tomografia, radiologia, ultra-som, mamografia, entre outros, podem acelerar a eficácia de diagnósticos. Não é Doutor?

Por Leandro Quesada às 12h43

30/06/2010

Caso Elano: quem errou?

Se não conhecesse bem o médico José Luís Runco de longa data, na cobertura da seleção brasileira, eu diria que a situação de Elano foi subestimada.

Vítima da violência do marfinense Tiote, que quase lhe quebrou a perna, o meio campista desfalcou o time diante de Portugal e também não atuou contra os chilenos.

Após a classificação brasileira para as quartas da Copa, eu perguntei para Elano se ele estava bem. O jogador abriu um sorriso e garantiu que ¨tudo estava muito bem¨. A frase tinha mais esperança do que a leitura correta da situação. Logo depois, indagado sobre a situação do camisa 7 da seleção, Luís Rosan, o conceituado fisioterapeuta, garantia que Elano e também Felipe Melo não eram problemas.

O treino nos dá muitas respostas. Bastou um trabalho com bola e uma corridinha para Elano não resistir ao edema no osso do tornozelo. A gravidade da lesão foi detectada com a realização de exames mais específicos. Ao ser contestado pela demora, Runco disse que os médicos devem antes tocar no paciente e depois pedir a ajuda da tecnologia.

Runco confiou na experiência de anos na medicina e preferiu observar a evolução do paciente-jogador. Quem vai contestar a decisão?

Por Leandro Quesada às 15h22

29/06/2010

Andrés, o chefe

O presidente do Corinthians aproveita muito bem a posição que ocupa aqui em Joanesburgo. Na pele de chefe da delegação da seleção brasileira, Andrés Sanchez não deixa escapar as facilidades que o cargo oferece para especular com os jogadores que disputam a Copa do Mundo, quais deles têm o interesse de voltar ao futebol do Brasil. ¨Não misturo as coisas, faço tudo para o Brasil ganhar o título apenas. Não negociou com os jogadores, não!¨, desconversa.

Andrés já conversou com todos os atletas do time de Dunga, também com o luso-brasileiro Deco e até o chileno Valdívia. A seguir alguns assuntos que eu abordei com o chefe da delegação.

Deco no timão ou no Flu? ¨Ele tem uma proposta irrecusável do Fluminense (500 mil reais mês). Ninguém abre mão de tanto dinheiro, mesmo sendo corintiano como ele¨.

Valdívia no Palmeiras: ¨O sheik não vai liberar, Valdívia me contou. É difícil voltar para o Brasil agora mas o Palmeiras é o primeiro interessado¨.

A volta de Kaká: ¨Kaká é um grande jogador. Na flor da idade. O retorno dele deve ocorrer em 3 ou 4 anos. Ele é inviável (financeiramente) para qualquer clube¨.

Maicon, o lateral: ¨Eu traria o Maicon para uma posição difícil no Brasil. Outro é o Daniel Alves. Nós estamos carentes na lateral direita¨ .

Morumbi fora da Copa: ¨Não tenho essa força para tirar o Morumbi. Era um sonho difícil do São Paulo, para fazer a abertura da Copa¨.

Estádio Andrezão vem aí... ¨Vamos finalizar o centro de treinamentos e erguer o estádio que não vai chamar Andrezão. O Corinthians venderá o nome para quem pagar. Um estádio que não tem ligação com a Copa de 2014¨.

Por Leandro Quesada às 15h29

28/06/2010

Brasil e Holanda, nas quartas!

Brasileiros e holandeses sempre fizeram duelos inesquecíveis em mundiais de futebol. Desta vez, embora não tenham equipes tão boas quanto as do passado, podemos esperar um jogaço, em Porto Elizabeth.

O primeiro jogo em Copas foi em 1974. A alemã Frankfurt parou para ver os tricampeões sem Pelé contra a sensação da época, a Holanda de Johan Cruijff. Zagallo desdenhou da laranja mecânica. Os nederlandeses estavam nervosos, os brasileiros também. Jairzinho, o furacão da Copa anterior perdeu um gol feito. Final, 2 x 0 para a Holanda: o carrossel elimina o Brasil e vai para a decisão contra os alemães.

Os dois voltariam a se enfrentar em 94, nos EUA. Um baita jogo, decidido em uma cobrança de falta de Branco, com direito a um carinho nas costas do baixinho Romário. Brasil 3 x 2.

Quatro anos depois, na França, na Copa de 98, Ronaldo e Kluivert marcaram no tempo normal. Nos pênaltis, ¨vai que é tua Taffarel¨. O Brasil estava na decisão.

Nos confrontos desfilaram Rivelino, Cruijff, Jairzinho, Neeskens, Rep, Luís Pereira, Leão, Romário, Bergkamp, De Boer, Bebeto, Kluivert, Ronaldo, Rivaldo. Uma verdadeira seleção mundial.

Nove vezes as duas seleções se encontraram: três vitórias brasileiras, quatro empates e dois sucessos da Holanda.

*** Já, já, a seleção brasileira treina no Ellis Park.

Por Leandro Quesada às 12h49

27/06/2010

Retrospecto vale nada, diz Dunga

No surrado jargão - estatísticas não ganham jogo - o técnico da seleção brasileira diminuiu a importância dos números.

Em cinco jogos na era Dunga como treinador, o Brasil venceu todos contra os chilenos.

Números que comprovam a superioridade dos pentacampeões sobre o adversário sul-americano mas que tem pouco peso no duelo pelas oitavas da Copa do Mundo, no Ellis Park.

Por Leandro Quesada às 15h28

Dunga descarta trio ofensivo

A escalação de Robinho, Nilmar e Luís Fabiano juntos desde o início do jogo não faz parte dos planos do treinador.

É muita ofensividade para um time que tem como ponto forte a defesa. Dunga não abre mão da força do sistema defensivo com os dois zagueiros, os três volantes e ainda dois laterais bem ligados na marcação.

O trio de ataque em campo seria um arrojo desnecessário na visão dele.

Durante a disputa no entanto, o técnico não descartaria a entrada de Nilmar para deixar o time mais poderoso.

Por Leandro Quesada às 15h20

Chi-chi-chi lê-lê-lê, viva o Chile

A chance (risco pra gente) do Chile tirar o Brasil da Copa do Mundo é remotíssima. Povo bacana, bem educado e amantes das coisas do Brasil mas quando o assunto é futebol, deixa pra lá. É bom nem começar.

Em duas Copas (62 e 98), a seleção brasileira passeou em campo com duas goleadas. Ao longo do confronto iniciado em 1916, curiosamente com um empate por 1 x 1, vemos uma verdadeira lavada: Em 65 jogos, o Brasil venceu 46, contra apenas sete do adversário. O ataque fez 152 gols e a defesa sofreu 55. Um saldo de quase cem gols.

A eliminação brasileira em Joanesburgo seria na minha visão uma zebra histórica. Bem... alguém vai dizer que tem uma hora para se mudar o rumo do óbvio. O futebol é magnífico por isso pois nenhum time ganha na véspera. Previsões são desmentidas no momento em que a bola começa a rolar. Prognósticos derrubam os analistas e torcedores.

Chi-chi-chi lê-lê-lê, viva o Chile. Ah! Brasil nas quartas.

Por Leandro Quesada às 12h36

Sobre o autor

Repórter e apresentador da rádio e TV Bandeirantes desde 1995, Leandro Quesada cobre os principais eventos da emissora. São 3 Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006, além de coberturas jornalísticas de Campeonatos Brasileiros, Copas do Brasil, Estaduais, Libertadores, Mundiais de Clubes, Liga dos Campeões, eliminatórias da Copa, amistosos da seleção, Copa América, entre outros. Na Rádio Bandeirantes, é repórter e também apresentador do programa Esporte em Debate desde 1999. Na TV, é um dos comentaristas do Jogo Aberto, programa da Band, comandado por Renata Fan. Em 2002, ganhou o prêmio de melhor repórter esportivo dado pela Aceesp - Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. O jornalista ainda foi um dos informantes da CPI CBF-Nike - que investigou o submundo do futebol brasileiro.

Sobre o blog

Paulistano nascido no bairro histórico do Ipiranga, criado na República da zona leste da capital, torcedor do Juventus da Mooca, Quesada trará matérias especiais e notícias exclusivas dos bastidores do futebol.