Blog do Quesada

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16/07/2010

CBF fará convite a Felipão

Ricardo Teixeira convidará o técnico do penta para assumir a seleção brasileira no lugar de Dunga mesmo sabendo que Felipão prefere cumprir o contrato assinado até 2012 com o Palmeiras.

Desta forma o presidente da CBF dá uma satisfação aos torcedores brasileiros curiosos pela definição do novo nome.

A estratégia visa mostrar para a opinião pública todos os esforços da entidade para ter o preferido para o cargo segundo as pesquisas recentes.

Lá na frente ninguém poderá reclamar da falta de empenho da CBF para convocar um nome reconhecido e respeitado por todos mas que não pôde aceitar o convite por ter um outro compromisso firmado.

Por sua vez Felipão cumpre com a palavra dada ao clube do Palestra Itália.

Por Leandro Quesada às 22h50

15/07/2010

Interesse da CBF por Felipão esfria...

Uma reviravolta na escolha do novo técnico da seleção brasileira ocorreu nas últimas horas.

A declaração de Luís Felipe Scolari prometendo cumprir o vínculo com o Palmeiras até 2012 fez a entidade mudar os olhos para a contratação do pentacampeão. Não se pode dizer que o gaúcho esteja totalmente fora da mira mas o interesse esfriou consideravelmente depois do episódio.

É verdade que nenhum lado morre de amores pelo outro. A entidade vê em Felipão um nome para calar as críticas da torcida e da crônica esportiva após o fracasso da seleção de Dunga na África do Sul. Já Felipão vive a dúvida de assumir a seleção muito tempo antes da Copa de 2014, ser vítima dos resultados e arranhar a magia criada em torno da esplendorosa campanha do penta na Ásia em 2002.

Diante do quadro, outro nome ganha força: Mano Menezes com apoio de Andrés Sanchez, ex-chefe da delegação brasileira na África está bem cotado. Outros são comentados dentro da CBF: Muricy Ramalho tem o tri brasileiro como um trunfo mas esbarra na resistência da Traffic parceira da entidade após o trabalho no Palmeiras, Paulo Autuori é muito querido pela cúpula da entidade também pelo perfil conciliador diferente do antecessor Dunga e correndo por fora Ricardo Gomes, ex-seleção olímpica.

Por Leandro Quesada às 17h51

13/07/2010

África do Sul: uma lição de vida

Nas últimas horas aqui na África do Sul, ao preparar as malas, passa um filme na minha cabeça de tudo que aconteceu nestes quase 60 dias de Copa do Mundo. A Copa começou lá em maio pra mim, no dia 20, quando a seleção brasileira iniciava a preparação em Curitiba.

Mas não quero escrever aqui sobre a Copa, futebol, bolas nas redes ou na trave, o fracasso brasileiro e o sucesso espanhol. Tudo isso é página virada. Acabou!

Neste espaço tão lido, por gente inteligente, que me acompanha também na rádio Bandeirantes, eu gostaria de revelar o aprendizado que tive com o povo sul-africano. Povo sofrido e ao mesmo tempo com um sorriso pra te oferecer, povo perseguido - mesmo depois do fim do apartheid - por um sistema que oferece apenas o subemprego, povo que espera um bom dia da gente, um simples bom dia carinhoso. Aprendi a partir de agora a não reclamar da vida desfrutada no Brasil.

Quando cheguei a Joanesburgo sofri depois de algumas horas um forte impacto. No restaurante, no posto de gasolina, no mercado eu vi apenas negros trabalhando. Me perguntei... caramba, onde estão os brancos ? Eles não trabalham ? Ou jogam apenas golf e críquete ? O poder econômico nas mãos da minoria branca alimenta o regime de separação financeira. Vida boa pra quem tem grana, vida surrada para o resto.

A desigualdade de hoje tem ligação direta com o regime de segregação racial na África do Sul, uma das coisas mais abomináveis que o ser humano poderia ter feito com o ser humano, comparável ao nazismo de Hitler e ao regime de Stálin.

Eu deixo a África admirando Mandela, Desmond e todos aqueles que lutaram desde o Soweto por uma nação sem distinção de cor, mas também com a certeza de que outros ¨Mandelas¨ deverão surgir para continuar a luta contra a diferença de raças que ainda assola o país.

Eu deixo a África com um mix de saudade da nossa terra Brasil e um adeus dolorido para o povo sul-africano.

Por Leandro Quesada às 19h53

12/07/2010

Espanha no G8

A partir do último apito de sir Howard Webb no Soccer City, a Espanha entra definitivamente no seleto time de campeões do mundo. A geração atual - formada por Casillas, Puyol, Inesta, Villa e Xavi - coloca o nome na página mais importante do futebol espanhol.

Fato que encerra de vez o complexo ¨vira-lata¨ que acompanhou a fúria por décadas e décadas. O lema negativo ¨jogamos como nunca, perdemos como sempre¨ está enterrado.

Os espanhóis serão reconhecidos e vistos de forma diferente pelos rivais, agora mais respeitados e admirados. Com a conquista da Copa eles alcançam o status de grandes campeões. Nas rodas de futebol, nas discussões dos botecos, nas análises esportivas, quando falarmos do penta Brasil, da tetra Itália ou da tri Alemanha, dos bicampeões Uruguai e Argentina, também de Inglaterra e França, não nos esqueceremos da Espanha. Ninguém vai zombar mais dos espanholitos derrotados de sempre.

O milionário futebol espanhol, liderado por Barça e Real Madrid, exigia o reconhecimento internacional da seleção da Espanha.

Levou um tempo imenso, mas valeu a pena esperar. Se o complexo acabou mesmo, já é bom sonhar com o bi no Brasil, em 2014.

Viva España!

Por Leandro Quesada às 10h39

11/07/2010

Viva Espanha!

Agora não tem jeito, o coração manda torcer para os espanhóis.

Anos e anos ouvindo meu avô Tomas e meu pai Lourenço falarem que la fúria nunca iria ganhar nada.

Eles tiveram razão por oitenta anos. A Espanha jamais havia se classificado para uma final de Copa do mundo. Oitenta anos é uma vida. Ainda em vida abuelo y papá não viram a seleção levantar a taça do mundo. Não pudream dizer a taça del mundo és nuestra.

Eu cansei de ouvir falar em Zamora, goleiro dos nos 30, craque único que teve o nome repetido durante muitos anos.

Então veio a seleção de 82, atuando em casa, apostando em Juanito, por Diós! Juanito, no! O goleiro era Arconada. Veja se isso é nome de goleiro.

A geração de Martin Vasquez e Michel tinha certo status mas também fracassou. A de Raul e Hierro ficou no meio do caminho.

Agora um time bem formado por Del Bosque, com craques como Iniesta, David Villa, Xavi.

O sucesso não veio antes por causa de um conceito errado na visão de muitos. Culpa da filosofia de times como Barcelona e Real Madrid que montaram esquadrões baseados em jogadores do exterior, algo que prejudicava o surgimento dos atletas nativos.

O Barcelona é a base e talvez esta aposta encerre de vez a concepção antiga de acreditar que apenas com estrangeiros se conquista o sucesso.

Que viva o Barça! Viva a Espanha!

Por Leandro Quesada às 09h16

Laranja mecatrônica

Sinal dos tempos...

Um dia já foi mecânica e emperrou em duas Copas mesmo com craques como Cruijff, Neeskens e Rep.

Um dia teve um trio fantástico formado por Gullit, Rijkaard e Van Basten e no máximo levou a Euro.

Depois veio um outro dia com Kluivert e novamente a base do Ajax. Nova frustração para a torcida holandesa.

Neste dia 11 de julho, dia da final da Copa, a Holanda apresenta um time com menos estrelas, técnica e status. Mas não menos forte que as equipes anteriores.

A mecânica virou mecatrônica, evoluiu assim como o mundo, avançou na seriedade e comprometimento dos jogadores, ficou menos mercenária e mais profissional, guardou na gaveta o complexo de inferioridade em comparação aos grandes rivais e encerrou a disputa entre negros e brancos na concentração. Quer mais? Não precisa. Basta a Holanda jogar bola e o resto vem.

E se não for agora, o feito virá em breve.

Por Leandro Quesada às 09h14

Sobre o autor

Repórter e apresentador da rádio e TV Bandeirantes desde 1995, Leandro Quesada cobre os principais eventos da emissora. São 3 Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006, além de coberturas jornalísticas de Campeonatos Brasileiros, Copas do Brasil, Estaduais, Libertadores, Mundiais de Clubes, Liga dos Campeões, eliminatórias da Copa, amistosos da seleção, Copa América, entre outros. Na Rádio Bandeirantes, é repórter e também apresentador do programa Esporte em Debate desde 1999. Na TV, é um dos comentaristas do Jogo Aberto, programa da Band, comandado por Renata Fan. Em 2002, ganhou o prêmio de melhor repórter esportivo dado pela Aceesp - Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. O jornalista ainda foi um dos informantes da CPI CBF-Nike - que investigou o submundo do futebol brasileiro.

Sobre o blog

Paulistano nascido no bairro histórico do Ipiranga, criado na República da zona leste da capital, torcedor do Juventus da Mooca, Quesada trará matérias especiais e notícias exclusivas dos bastidores do futebol.